Guia Bloco K – Passo 3: Bloco K e Inventário

Não adianta nada fazer tudo certinho no seu Bloco K se essas informações não baterem com os outros dados do fisco. Fique atento para evitar problemas.

20/Dez/2018
Contabilidade

Já há algum tempo temos focado a nossa atenção na preparação do Bloco K e as mudanças que isso trouxe para a rotina do seu escritório contábil e dos seus clientes. Você pode checar os dois primeiros passos do nosso guia onde falei sobre as formas de explicar e como sanar dúvidas para entender como chegamos até aqui.Mas com a chegada do final do ano, mais uma vez temos que lembrar da necessidade de apresentar dentro do balanço e do SPED os números do inventário, você pode inclusive lembrar que falei sobre isso no artigo: Está chegando a hora do Inventário 2018. Pensando agora nos seus clientes do escritório contábil, será que eles realmente sabem o que significa o inventário?

Costumo ouvir muito dos contadores reclamações que os clientes não mandam o inventário no final do tempo a tempo, ou corretamente, mas me pergunto, não seria interessante um bate papo com estes clientes. Se explicarmos bem o que eles precisam fazer no inventário, teremos menos problemas.

Um cliente com problemas no inventário pode ter muitos problemas com o Bloco K e com o fisco em geral, porque conforme eu costumo lembrar as pessoas, o fisco vai estar usando a mesma tecnologia que estamos utilizando para cruzar estas informações.

Ou seja, se as informações que o cliente apresentar no Bloco K e no inventário não baterem com o que está dentro do Bloco H e do SPED fiscal, o fisco suspeitará de fraude, mesmo que o que tenha ocorrido tenha sido apenas um erro.

Se você quiser saber o panorama completo sobre o Bloco K, confira:

eBook Bloco K para Contadores

eBook Bloco K para Empreendedores

O que realmente é o inventário?

O momento do inventário é quando o empresário deve apurar a quantidade real de mercadorias existentes fisicamente em seu estoque, para ajustar as informações que aparecem em seus controles e as informações registradas na contabilidade.

Pode não parecer, mas o inventário é de fundamental importância para a empresa, pois através dele ela terá uma posição real deste ativo tão importante. É justamente nesse momento, confrontando estoque físico e contábil, que a empresa pode identificar possíveis erros de lançamento, de conferência ou até mesmo roubo de produtos.

Tipos e Periodicidade

Os inventários que os empresários devem fazer são dois, distintos: o periódico e o rotativo.

O Inventário Periódico (anual ou trimestral), é feito no final de cada período contábil, tem efeito fiscal e é feito em todos os itens.

Já o Inventário Rotativo tem como finalidade detectar e corrigir diferenças, reduzir e eliminar possíveis perdas e é realizado em um número reduzido de itens, já que não é uma exigência de conferência do fisco. Como a finalidade é interna, o inventário rotativo não tem uma data correta para ser feito, mas deve ser feito sempre para evitar problemas de gestão para a empresa.

As empresas na categoria fiscal Lucro Real deverão escriturar o Livro Registro de Inventário quando elaborarem seus balanços, ou seja, anual ou trimestralmente.

No Lucro Presumido ou no Simples Nacional também deve ser feito o inventário, pois a legislação contábil sempre exigiu que as empresas, independente do regime, elaborassem o balanço patrimonial, que faz com as informações pertinentes aos estoques sejam baseadas nos procedimentos do inventário físico.


Se preparando

A primeira coisa a se fazer é tomar a consciência da importância deste procedimento, que vai muito além das exigências tributárias, é uma questão de boa gestão do seu negócio.

Precisamos fazer com que o cliente entenda tudo isso para que ele veja que fazer o inventário é algo útil para a sua empresa também, não somente para o governo. Você precisa impreterivelmente de um sistema de gestão.

Depois disso deve-se dar atenção à criação de procedimentos internos e ao treinamento aos funcionários. O levantamento de estoques exige todas uma organização interna das mercadorias na empresa antes de se iniciar os trabalhos. Se você já utiliza um sistema que otimiza a manutenção deste tipo de informação, terá muito menos dor de cabeça.

Penas e multas

O fisco federal poderá arbitrar o lucro da pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, quando esta não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Quando falamos isso para os clientes, eles podem pensar que arbitrar o lucro não significa muita coisa.

É nesse momento que você explica para ele que na prática isso quer dizer que o fisco pode pressupor qual seria o lucro da sua empresa, sob o próprio ponto de vista, e taxar a empresa sobre esse valor, que sempre é muito maior que o lucro que a empresa realmente tem.

A única defesa para evitar isso é um inventário correto!

Do ponto de vista estadual a ausência de escrituração do Livro de Inventário é ainda pior, pois implica também em infração perante a legislação do ICMS de cada Estado, sujeitando as empresas às penalidades dos seus regulamentos.

O seu estoque é seu patrimônio!

O seu cliente precisa saber que o inventário físico representa uma oportunidade de corrigir qualquer imprecisão nos registros.

Através da comparação entre os registros nos controles internos da empresa e a quantidade física efetiva, o empresário pode verificar se os seus controles são eficientes, além de verificar quais mercadorias tem maior saída, quais mercadorias estão encalhadas, os seus gastos com armazenagem e eventuais roubos de mercadorias.

Muitas empresas acabam sobrecarregando os custos dos seus produtos pela falta de um controle adequado dos estoques.

Inventário e SPED: Informação na mão do fiscal

A lei costumava determinar que o inventário físico deveria ser registrado em um livro específico, o chamado Livro Registro de Inventário, conhecido como Modelo 7. Se a empresa fosse passar por uma fiscalização, precisaria apresentar este livro.

Quando o SPED chegou, essa informação passou a fazer parte dele. Assim o fiscal não precisava mais visitar a empresa para fazer essa checagem.

Só que a falta dessa visita não quer dizer que eles não estão de olho!

A ideia por trás dessa mudança foi justamente punir os empresários que não mantinham um controle adequado de seus estoques, buscando regularizar isso, por bem ou por mal.

Para atender à necessidade do inventário no SPED, o empresário deve fornecer ao Contador uma relação dos itens em estoque, seguindo o layout estabelecido na legislação. Isto significa que o sistema da empresa também deve estar de acordo com o layout do SPED para que o conteúdo do inventário possa ser importado pela contabilidade.


Prof. Antonio Sérgio

Antonio Sérgio de Oliveira é palestrante, professor e autor de diversos livros (e-Social, SPED, Bloco K, Substituição Tributária), com mais de 25 anos de experiência no segmento tributário e fiscal.

Receba as novidades

Assine nossa newsletter

Obrigado por se inscrever!

Oops! Verifique novamente se informações estão corretas

Posts Relacionados

Artigos por autor

Receba as novidades

Receba as novidades

Obrigado por se inscrever!

Oops! Verifique novamente se informações estão corretas