DRE e sua importância para as PMEs

A DRE é uma demonstração financeira que tem o intuito de demonstrar de forma resumida as operações de receitas, custos e despesas de uma empresa

08/05/2019
Gestão
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A contabilidade é cercada de diversas demonstrações contábeis, cada uma referenciando dados específicos da contabilidade e carregando sua representatividade específica no contexto empresarial. Nesse artigo vamos tratar da Demonstração do Resultado do Exercício, mais conhecida no meio contábil e empresarial como DRE.

A DRE mostra as operações de receitas, custos e despesas de uma empresa, no período contábil estipulado pela legislação, evidenciando ao final do período o resultado da empresa, podendo este ser lucro ou prejuízo.

No Brasil o período contábil de apuração da DRE inicia no dia 1º de janeiro e se encerra em 31 de dezembro, mas o que isso quer dizer efetivamente? Na prática, isso determina que no final de cada período, ou seja, no dia 31 de dezembro, a contabilidade precisa apurar o lucro ou o prejuízo da empresa. Com isso todas as contas representadas na DRE são zeradas e o saldo líquido transportado para o balanço em uma conta contábil de lucro ou prejuízo.

Assim, no primeiro dia do próximo ano, a contabilidade inicia com as contas que são representadas na DRE com saldo zero, e durante o decorrer do ano os lançamentos vão sendo lançados e acumulando o saldo para uma nova apuração ao final do período.

Mas como a DRE é estruturada?

A DRE é dividida, basicamente, em três grandes grupos: receitas, custos e despesas.

1. Receitas:

Neste grupo são representadas todas as receitas diretamente relacionadas à operação da empresa. Por exemplo, se minha empresa presta serviços contábeis, no grupo de receitas serão representadas todas as receitas apuradas no período relacionadas aos serviços prestados, se minha empresa revende produtos, são representadas todas as receitas referentes às revendas de produtos e assim por diante.

Ainda no grupo de receitas, visualizamos todas as deduções, como devoluções e impostos sobre vendas por exemplo. Assim o saldo do grupo de receitas irá representar a receita líquida da empresa e este é o valor que efetivamente a empresa poderá utilizar para pagar seus custos e despesas.

2. Custos:

Neste grupo são representados todos os gastos que a empresa tem, que estão diretamente ligados a geração das receitas. Um exemplo: em uma indústria, todo o gasto com matéria prima, mão de obra e maquinário utilizado na produção, deve ser considerado como custo.

No geral, para facilitar o entendimento, podemos pensar da seguinte maneira: determinado gasto é essencial para que eu consiga fabricar um produto ou prestar um serviço? Se a resposta for sim, ele deve ser considerado como custo.

3. Despesas:

Nesse grupo são representados todos os demais gastos do empreendimento, que não tem uma ligação direta com a geração de receita da empresa. Exemplo: um departamento financeiro é necessário para uma empresa, porém, de forma direta, a empresa não depende desse departamento para realizar os processos que geram a receita.

Claro que na DRE, a demonstração e alocação destes campos estão de forma muito mais detalhada, e dependem de diversos detalhes que o contador precisa analisar para identificar em qual dos grupos ele irá direcionar o lançamento.

Com estes grupos determinados e com as contas alocadas em seus devidos grupo, conseguimos através da DRE saber como apurar o lucro ou prejuízo da empresa.

Basta aplicarmos uma regra simples de cálculo: receita menos custos e despesas. Se o valor das receitas for maior que o valor dos custos e despesas, a empresa apurou lucro no período, se o valor das receitas for menor, a empresa apurou prejuízo.

Mas então a DRE é somente para me demonstrar se a empresa obteve lucro ou prejuízo?

No conceito geral, sim, porém a DRE pode lhe demonstrar diversas outras questões que vão ajudar o contador e o empresário a gerenciar o negócio. A primeira análise que pode ser feita através da DRE é uma análise vertical, ou seja, verificar quanto cada linha da DRE representa em relação a receita, seja ela bruta, (considerando impostos e deduções), ou líquida (desconsiderando impostos e deduções).

Indico que se utilize a receita líquida, pois o grupo de impostos sobre vendas tem os percentuais determinados por legislações específicas a cada regime tributário, e o empresário tem pouca influência sobre os valores desse grupo. Acompanhamos no exemplo:

Se consideramos a receita líquida como o ponto de partida da nossa análise, a primeira coisa que podemos ter é a representatividade de cada linha sobre a receita líquida, com isto tendo a dimensão de quanto cada gasto impacta no resultado da empresa.

Dois dados nesta análise são muito importantes: o primeiro é a margem de contribuição que é representada no exemplo ao lado pelo percentual apurado na linha Resultado Bruto.

Aqui temos um dado importante, o resultado bruto representa as receitas menos os custos essenciais necessários para gerar as receitas, o resultado disso vai dizer o quanto sobra do processo produtivo para garantir que todas as demais obrigações da empresa sejam cumpridas.

Esta informação é importante para que o empresário tenha um direcionamento sobre o processo de criação de preço de venda, pois com este dado é possível ter uma ideia de como o lucro vai se comportar, se os valores serão suficientes para suprir as necessidades da empresa.

O segundo dado a ser mencionado é o lucro líquido, não só pelo fato de demonstrar se a empresa está tendo resultados positivos ou não, mas principalmente, por ser um direcionador de como devem ser tratados todas as linhas acima da DRE. Exemplificando, se um empresário deseja ter um lucro de 10%, é preciso que todas as demais linhas sejam direcionadas estrategicamente para que o resultado final da apuração seja o esperado.

A segunda análise que pode ser feita com a DRE é a evolução dos resultados da empresa, ou seja, uma comparação entre um ano e outro. Desta maneira se visualiza se a empresa está crescendo ou não, e se as decisões estratégicas estão surtindo o efeito esperado. Aqui podemos verificar se os custos e despesas estão se mantendo ou crescendo também, ou até mesmo diminuindo.

Além destas duas análises, a DRE combinada com o balanço pode gerar diversos índices financeiros que ajudam e muito o empresário no direcionamento estratégico da sua empresa. Um outro ponto é a intersecção da DRE com o orçamento, que permite verificar se as receitas e os gastos estão dentro do planejado.

O ideal para o empreendedor e o seu contador é o acompanhamento da DRE mensalmente, para que caso se perceba que há algum caso divergente que precise de atenção, a decisão seja tomada de forma rápida e assertiva, afim de não ter grandes impactos no final do período na obtenção do resultado.

O seu contador é um parceiro essencial nessa análise, ele pode lhe ajudar a fazer todas estas análises e conhecer assim de forma clara os seus números.

Edgar Luna

Receber e poder transmitir conhecimento é minha maior motivação. Apaixonado por ler/escrever, estudar, música e teatro. Formado em contabilidade com especialização na área de controladoria e gestão de pessoas, minha meta é poder contribuir para que o mundo seja um lugar melhor a cada dia. Tenho como filosofia de vida transformar ações em emoções e com isso contribuir para que as pessoas ao meu entorno possam se desenvolver.

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