O que é ramo de atividade e como escolher um para o seu negócio?

Calma! Ninguém veio falar de códigos de CNAE ou algo do tipo, vamos falar sobre o mercado. Confira no post!

17/Ago/2020
Empreendedorismo

Os tipos de ramos de atividade são os mais diversos e a sua escolha influencia o valor dos impostos e tributos que irá pagar, o que pode e o que não pode ser feito, regras de vigilância sanitária e etc. Mas será que isso é o mais importante? Para mim, não. Considero mais relevante escolher um ramo com o qual além de você ter afinidade, de preferência, já tenha alguma experiência.


Mas o que é e como escolher meu ramo de atividade?


O ramo de atividade, em poucas e simples palavras, é aquilo a que sua empresa se dedica. Por exemplo, a padaria se dedica à produção de pães, doces etc., uma oficina irá buscar reparar veículos, motos, caminhões. Veja como o ramo de atividade de uma empresa consiste no “coração” do seu negócio.


Por isso, disse há pouco que é tão importante você escolher um negócio com o qual você tenha conexão, algo que goste de fazer. Normalmente, se gosta mesmo você de algo, é porque já experimentou e trabalhou com essa atividade em algum momento. É praticamente impossível dizer que se gosta de alguma coisa sem ter realizado. 


Mas não é incomum encontrar empreendedores se arriscando em atividades que não conhecem a fundo, apenas viram um amigo, um parente que acabou tendo sucesso naquele ramo e pensam “por que não tentar também?”. A realidade é que nem tudo é para todos, e não quer dizer que porque o seu primo teve sucesso com uma barbearia, você também terá.


É possível empreender no ramo industrial, montando uma pequena fábrica, confecção. No comércio, atendendo diretamente o consumidor final, vendendo acessórios, roupas, medicamentos... ou na área de serviços, como um escritório de advocacia, uma empresa de consultoria ou de contabilidade, por exemplo. 


Por onde começar? Veja 7 dicas valiosas

Comece pelo que você gosta

Para definir o ramo de atividade que irá empreender, o primeiro passo é buscar compreender quais são as suas preferências, o que você tem na mente e no coração que te faz acelerar, ficar motivado, mais disposto a vencer, para só depois pensar em ideias de negócio.


Eleger aquilo que te move já filtra bastante as escolhas, pois te mostra que algumas áreas, realmente, não são para você. A partir disso, já filtramos bastante as alternativas.


Mas apenas isso, está longe de ser suficiente…


O que você domina, conhece


Dentro das atividades que você gosta, qual ou quais delas você domina, tem conhecimento, experiência? É preciso fazer essa análise agora, olhar para as suas opções e começar a separá-las por essa ótica.


Pode ser que fique um pouco confuso, porque vai ser normal eliminar algumas áreas que parecem muito promissoras, que você já soube que estão “em alta” e poderia ganhar muito dinheiro com elas. Mas a pergunta é: será que sem experiência nenhuma nessas áreas você teria sucesso? E mais, será que se fosse tão simples, todos não estariam bem-sucedidos nessas áreas?


Por isso, o conhecimento prévio, ter trabalhado no ramo, estudado, conhecido o mercado, é tão importante. Quando vemos certos negócios prosperarem com destaque, parece óbvio pensar que aquele ramo de atividade é o melhor para o momento, mas é preciso se lembrar de uma frase comum no mercado financeiro: quando todos querem um ativo, talvez esse seja o momento para não querer.


Isto significa dizer que se todos já perceberam que aquele ramo está em alta há grandes chances de o timing, o momento adequado para entrar nesse mercado, já tenha passado. Você se lembra do momento em que todos queriam comprar Bitcoin e, no fim, muita gente perdeu dinheiro?


Isso aconteceu porque na época em que todos queriam comprar, foi quando aqueles que estavam lá há mais tempo, resolveram vender e realizar seu lucro. Depois disso, com a saída de grandes vendedores, ao liquidarem suas fatias, juntamente com a pressão do mercado financeiro sobre os Bancos Centrais dos países, o valor da criptomoeda veio abaixo. 


Mas o que isso tem a ver com a história de escolher um ramo de atividade que você conheça? Tudo. Pois, se as pessoas que compraram bitcoin no momento de alta tivessem conhecimento de uma máxima do mercado, não teriam feito isso, a máxima é: “Compre na baixa, venda na alta”. 


Quem você quer atingir? 


Feitas as duas primeiras etapas do funil, é hora de avançar pensando sobre quem você gostaria de atingir, quem quer atender, qual é o seu público-alvo, ou como gostam de chamar atualmente, quem é a sua persona. 


Quer atender pessoas jovens, idosas, crianças? Isso será mais uma forma de te ajudar a definir qual negócio irá montar. É muito bom trabalhar em um ramo de atividade em que você consiga se dar bem com o seu público, com o seu cliente, de forma natural, legítima.


No livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, Dale Carnegie fala sobre a importância do elogio sincero, legítimo, verdadeiro, não que seja desinteressado, mas que não consista em uma mentira para fazer o seu negócio ou a sua intenção prosperar. 


Pense em qual é o público com que você gostaria de trabalhar e afunile, diminua ainda mais as suas opções de escolha. Lembre-se de ficar atento ao tamanho desse público, ou seja, quantas pessoas podem querer comprar o seu produto ou contratar seu serviço.


Agora, vamos pesquisar o mercado!


Caso você já tenha decidido, será mais fácil, pois terá apenas um ramo de atividade a pesquisar, mas se ainda restam dúvidas, não é um grande problema, mas o trabalho será um pouco maior. 


Vamos à fase de pesquisa de mercado em que se quer atuar e entender como ele funciona, onde estão as outras empresas do ramo em que você está entrando e quais são as dificuldades para operar nesse mercado. 


É muito importante pensar nas restrições, leis relacionadas, onde você pode abrir empresa, quais são os pontos disponíveis, qual tipo de marketing você pode realizar, enfim, ir mais a fundo conhecendo bem o mercado ou os mercados em que se pretende atuar.


Hora de olhar para o jardim do vizinho...


O fato é que erra quem abre empresa e não faz a análise de concorrência, deixando de olhar para o “jardim do vizinho” para ver suas características e analisar se ele tem bons ou maus resultados. 


É fundamental estudar o mercado antes de qualquer coisa, por exemplo, se vai abrir uma farmácia, precisa saber quantas farmácias existem na cidade ou no bairro em que se pretende montar, quais são, se são redes grandes ou pequenas, qual o movimento e há quanto tempo estão no ponto.


Tudo isso irá te ajudar a saber se naquela região existe espaço para o seu negócio, se os preços que são cobrados pelos medicamentos e o faturamento médio pagam as despesas e os custos do seu empreendimento. 


É claro que pode ser que você monte algo diferente, inovador e mesmo que na mesma área, traga um impacto muito superior ao normal, mas reconhece que até para trazer algo inovador, é necessário estudar o mercado, a concorrência e ver se a sua ideia realmente tem espaço? Pense nisso.


Quanto dinheiro você tem para investir?


Se você cumpriu o que trouxemos, é muito provável e esperado que já tenha uma estimativa dos custos para montar o seu negócio, desde a estruturação jurídica, formal, abrir empresa e até a potencial execução física, caso haja uma obra para preparar um espaço comercial.


Além de ter o dinheiro para montar o negócio, é preciso ter Capital de Giro para manter o empreendimento. Especialmente no período inicial, não é surpresa que tantas empresas “morram” em poucos anos. 


Segundo dados do Sebrae, 2018, 1 a cada 4 empresas fecha as portas em até dois anos e quase 60% dos negócios encerram suas atividades em até cinco anos. Estamos dizendo que a cada 10 empreendedores, 6 irão fechar os seus negócios em pouco tempo.


E o dinheiro, a falta de capital de giro, de ter se preparado, de ter feito uma melhor administração dos recursos que entraram, trabalhar custo fixo baixo, tudo isso, prejudicou enormemente o êxito da empresa.


“Se fiz tudo, como parto para a execução?”


Caso tenha cumprido todos os requisitos que elencamos e perceba que está pronto para montar o seu negócio, é hora de procurar um profissional de contabilidade para que possa te auxiliar no processo de como abrir uma empresa, estruturar o negócio, verificar o CNAE – Classificação Nacional de Atividade Econômica – que é a classificação oficial adotada no Brasil para categorizar as empresas.


Isso pode até parecer muita burocracia, mas essa definição pode te ajudar, inclusive, a pagar menos impostos, a se encaixar em alguma categoria tributária com mais isenções ou, pelo contrário, te tirar dela. Valorize um processo bem estruturado, cobre do seu contador, da sua contadora, uma ajuda para fazer tudo da melhor forma.


Só assim você aumentará as chances de as coisas darem certo e o seu negócio não integrar as tristes estatísticas que vemos no nosso país, de tantas empresas fechando as portas ainda tão cedo.


Muito sucesso no seu empreendimento e conte conosco para apoiá-lo!

Nos vemos nas minhas redes sociais @matheusfinancas. 


Um abraço.


Matheus Machado

Educador Financeiro apaixonado em ajudar as pessoas a melhorarem a forma como se relacionam com o dinheiro. Sou advogado com MBAs em Gestão de Projetos e em Finanças, um curso de Fintechs por Oxford e palestrante e colunista na rádio e na TV. Hobbie: Música.


Receba as novidades

Assine nossa newsletter

Obrigado por se inscrever!

Oops! Verifique novamente se informações estão corretas

Posts Relacionados

Artigos por autor

Receba as novidades

Receba as novidades

Obrigado por se inscrever!

Oops! Verifique novamente se informações estão corretas