Capital de giro: o que é, como calcular e qual sua importância na gestão

Planejamento financeiro é uma das prioridades ao constituir uma empresa. Entenda mais sobre capital de giro e a sua importância para a saúde financeira dos negócios.

27/Ago/2020
Contabilidade

Quais fatores você julga relevantes no processo de constituição de uma empresa? Muitos profissionais, quando optam pelo empreendedorismo, investem bastante tempo para definir o regime tributário que menor onere a sua empresa, os equipamentos necessários para que suas atividades operem, ou a contratação de mão-de-obra especializada. 


Além desses aspectos, a formalização e obtenção das autorizações dos órgãos fiscalizadores para funcionamento também recebem muita atenção. 


Contudo, poucos são aqueles que priorizam a análise e planejamento financeiro de sua empresa. Logo, é preciso ressaltar aos empreendedores o risco que isso pode causar ao seu negócio, ou do seu cliente. 


Dados do Sebrae, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, apontam que 50% das empresas constituídas no Brasil fecham as portas em até 4 anos, e entre as principais causas estão a má gestão dos seus recursos financeiros e a negligência por parte de seus gestores no acompanhamento e monitoramento dessa área. 


Uma das principais medidas de observação acerca da saúde financeiro de um empreendimento é o seu Capital de Giro. Vamos entender um pouco mais sobre o que é capital de giro no post. Acompanhe! 


O que é Capital de Giro?

Capital de Giro é o recurso disponível por uma empresa para manutenção e custeio de suas operações no curto prazo. Com uma boa gestão do capital de giro, os seus recursos são capazes de proporcionar reflexos financeiros positivos no longo prazo, como opções de reinvestimento e constituição de reservas, como se fosse uma poupança para as empresas.


De forma simplista, o capital de giro representa o dinheiro que você tem, subtraído do dinheiro que você deve.


É importante destacar que a nomenclatura é amplamente utilizada com significados variados. Para fins contábeis e financeiros, esta medida representa a liquidez disponível para arcar com os custos e despesas da empresa, sejam elas fixas ou variáveis.


Entretanto, ao consultar o gerente do seu banco, este pode lhe oferecer um empréstimo bancário, com juros elevados, e denominar este recurso como Capital de Giro para Empresas, pois assim foi popularizado. 


Preciso alertá-lo que, em essência, o conceito faz alusão ao confrontamento da liquidez e as obrigações correntes de um negócio. 


A liquidez de uma empresa é representada pelo seus valores a receber de clientes, os estoques disponíveis para venda, suas contas bancárias e investimentos líquidos (aplicações financeiras de liquidez imediata, títulos do tesouro, etc), ou qualquer outro bem ou direito que possa ser facilmente convertido em dinheiro para a honra de suas obrigações e desenvolvimento das atividades.


Já os custos e as despesas estão atreladas às obrigações mensais, como pagamento de colaboradores, contratação de serviços de terceiros, pagamento a fornecedores, tributos, água, luz, energia, internet e etc. 


Destaca-se que os recursos vinculados aos investimentos fixos de um empreendimento , como máquinas, equipamentos, imóveis e veículos, não integram a base de cálculo do Capital de Giro, conforme demonstraremos mais à frente. 


A título de exemplificação: se uma empresa vende a prazo no mês de agosto, com recebimento estipulado para 60 dias, é importante que ela possua recursos disponíveis para arcar com a suas obrigações do mês de setembro, uma vez que o capital decorrente da venda, apenas entrará para a organização no mês de outubro. Este recurso disponível para honra de dívidas é o capital de giro. 


A importância do Capital de Giro

Conforme mencionamos no tópico anterior, muitas vezes, a gestão do capital de giro é negligenciada em virtude da falta de conhecimento sobre a sua importância para a saúde financeira do negócio. 


Porém, a ausência da devida atenção pode ensejar em agravantes para o empreendimento, tais como: elevação do grau de endividamento, retração do crescimento e, em casos mais delicados, até a falência, já que ele representa a capacidade de uma organização honrar com seus compromissos e reinvestir em sua estrutura. 


É pertinente destacar a necessidade do capital de giro como um recurso que salvaguarda as empresas. Na ocorrência de recessões, despesas extraordinárias ou crises financeiras, aquelas que possuírem uma estrutura saudável de giro, não serão significativamente afetadas. 


Sendo assim, conclui-se que, quanto maior o capital de giro de uma organização, mais prolongado será o seu tempo de permanência em atividade, honrando suas dívidas e investimentos, mesmo que algum desafio seja verificado.


Consultores financeiros orientam que o considerável é um nível de sustentabilidade de até 6 meses para pagamento de seus custos e despesas fixas, sem que haja recebimentos. 


Como assim? Simples. 

  • Avalie os custos e despesas fixas da organização e a média das despesas e custos variáveis. 
  • Supondo que seja de R$10.000, é recomendável que a organização possua de Capital Financeiro um montante entre R$ 60.000 a R$ 80.000. 
  • Ou seja, mesmo não prestando nenhum serviço ou vendendo mercadorias, esta empresa se mantém ativa no mercado por um período de 6 a 8 meses. 


Vale ressaltar que este nível de segurança requer esforços, tais como o controle de recebíveis, do fluxo de caixa da empresa, bem como análises de prazo médio de recebimento e pagamento. 


Ressalta-se que nem sempre o excesso de Capital de Giro é um sinal da boa gestão de recursos financeiros. Isso pode significar também que a empresa possui mais estoques do que o necessário e demandado pelo mercado, ou que os recebimentos não estão sendo monitorados e cobrados da forma correta, ou que há um excesso de caixa que não vem sendo reinvestido em aplicações financeiras para render receitas. 


Tipos de Capitais de Giro 

Após conceituar a medida aqui discutida, é importante descrever os tipos de Capitais de Giro. A bibliografia e o mercado elucidam, basicamente, quatro tipos. Sendo eles:


Capital de giro líquido (CGL) 

Conforme já mencionado, o Capital de Giro Líquido é o confronto entre todos os recursos financeiro disponíveis para a empresa em curto prazo, com as suas obrigações correntes (despesas e custos mensais). 


Capital de Giro Líquido Negativo (CGLN)

O Capital de Giro Líquido Negativo decorre do CGL sendo este uma medida de atenção. A obtenção deste resultado significa que a empresa não possui recursos suficientes para quitar os débitos existentes e manter as suas atividades. 


Capital de Giro Líquido Positivo (CGLP)

Indo no lado oposto do Capital de Giro Líquido Negativo, o Capital de Giro Líquido Positivo, determina que a organização opera com saúde financeira, já que possui recursos suficientes para quitar os débitos existentes e manter as suas atividades. 


Capital de Giro para fins de investimento

O Capital de Giro para fins de investimento refere-se a parte do Capital de giro líquido destinado a um investimento específico, e não necessariamente a liquidação de uma despesa ou custo.  


Por exemplo, a administração determina que 15% do Capital de Giro Líquido Positivo (CGLP) será destinado para a aquisição do imóvel da sede da empresa, ou para a aquisição de item específico. 


Cabe destacar que, apesar dos diferentes conceitos, todos nascem do CGL. Sendo assim, para que qualquer avaliação seja efetuada ou decisão tomada, é importante realizar a análise desta medida. 


Como calcular o Capital de Giro?

Após a leitura dos tópicos anteriores, chegamos à conclusão do quão relevante é para um negócio o monitoramento da sua saúde financeira, e especificamente do seu Capital de Giro. Agora, veremos como calcular o Capital de Giro, ou mais especificamente, o Capital de Giro Líquido.


Interessante que algo tão relevante tenha um cálculo tão simples. E isso é um ótimo sinal, já que a sua facilidade acabará com as objeções de não o acompanhar. 


O cálculo do Capital de giro líquido (CGL) traduz-se como:

Capital de giro líquido (CGL) = Ativo circulante – passivo circulante


O Ativo circulante é constituído por todos os bens e direitos de uma empresa que são facilmente convertidos em dinheiro (liquidez). À título de exemplos, citamos: 

  • Caixa;
  • Fundo Fixo;
  • Contas bancárias; 
  • Aplicações Financeiras;
  • Contas a receber;
  • Estoques;


Já o Passivo Circulante faz referência a todas as obrigações de curto prazo que a empresa possui. Citamos:

  • Fornecedores;
  • Salários e encargos;
  • Tributos a pagar;
  • Aluguéis, água, luz, telefone;
  • Empréstimos e financiamentos.


Além do montante monetário, esta medida também é avaliada através do indicador de Capital de Giro, obtido pela razão do Ativo Circulante e do Passivo Circulante, conforme abaixo:

Indicador de Capital de Giro = (Ativo circulante/passivo circulante)


O primordial é que essa razão não fique abaixo de 1, e o seu ponto ótimo é quando atinge montantes maiores que 2.


Principais riscos da má gestão do Capital de Giro

Todos os negócios nascem pequenos, e quanto mais organizadas forem as suas finanças, melhor. É comum que no início da jornada do empreendimento ele opere com o Capital de Giro apertado. Contudo, a manutenção da gestão desse recurso fará com que o negócio se estruture e solidifique rapidamente. 


Em contrapartida, quando não há este acompanhamento, é quase que inevitável que a empresa comece a apresentar problemas no que tange a liquidação de suas obrigações, a necessidade de captação de capital com terceiros e, consequentemente, aumento de suas despesas financeiras. 


Especificamente alguns aspectos dificultam a manutenção do Capital de Giro, por exemplo:

  • Aumento de custos e despesas sem a concomitante elevação de receitas;
  • Retração das vendas;
  • Inadimplência de clientes;
  • Obtenção de empréstimos com terceiros,
  • Aumento das despesas financeiras.


Além do exposto, outras práticas cotidianas merecer atenção por parte de gestores, contadores e administradores de negócios. O prazo de recebimento de vendas é o principal deles. 


Quando não ajustado com o prazo de pagamento das obrigações da organização, maior o risco de comprometimento de capital de giro, uma vez que os recursos que honrarão as dívidas são os próprios da empresa e não os decorrentes das vendas já efetuadas. 


O giro do estoque é outro fator relevante e de alto risco. O estoque de uma empresa é gerenciado com base na demanda e movimento do mercado. Obter um estoque muito acima do nível de vendas é danoso e prejudicial para a saúde financeira do empreendimento. 


Além dos citados, é relevante mencionar que organizações que possuem sazonalidade no nível de vendas e produção devem possuir acompanhamento ainda mais rígido sobre os seus níveis de CGL, já que, em épocas de baixa, este será o recurso que manterá as vendas. 


Práticas para a boa gestão do Capital de Giro:

A boa gestão do Capital de Giro requer disciplina e habitualidade. É sempre indicado a construção de um planejamento financeiro, em que os custos e despesas possuam tetos orçamentários e haja uma política de redução destas, assim como uma projeção de receita a fim de estimular as atividades e operações. 


Paralela a essa prática, a empresa deve possuir controle das suas vendas e compras através da documentação destes fatos, assim como dos seus registros. Para a manutenção dessa prática é recomendado a utilização de um software de gestão empresarial e financeira, como o da Omie.


Dessa forma, todas as suas informações estarão armazenadas com segurança e disponíveis em relatórios úteis e intuitivos para o monitoramento financeiro e de desempenho, ou seja, que facilitem o processo de tomada de decisão. 





Uma vez planejadas e escrituradas, as movimentações financeiras dão base para a obtenção do fluxo de caixa do negócio, assim como as suas projeções de médio e longo prazo. 


Além disso, a manutenção do controle e monitoramento financeiro permite a empresa a obtenção do panorama de inadimplência, podendo assim efetuar as suas renegociações de dívidas, bem como obter pagamentos antecipados. 


Ressalta-se que o mesmo ocorre para os fornecedores. Tendo controle das obrigações, os gestores são capazes de negociar períodos de pagamentos e descontos com mais efetividade. 


Em resumo, o Capital de Giro é uma medida de saúde financeira de curto prazo de extrema importância para os negócios, e quando não monitorada, pode acarretar em prejuízos para as organizações em diversos níveis, podendo desencadear, inclusive, em um processo de falência. 


A obtenção desse recurso é proveniente do confronto dos bens e direitos líquidos de uma empresa com as suas despesas e custos recorrentes. Quando bem orquestrado, favorece à empresa a possibilidade de investimento, estruturação e solidez. 


Atenção: o Capital de Giro não deve ser obtido por terceiros, mas sim gerado pelas atividades do empreendimento. A máquina precisa operar de forma autônoma para produzir capital suficiente para honrar suas dívidas e investir e pagar seus fornecedores. 


Alcançar estes resultados é um misto de boa gestão, controle e supervisionamento, não só de caráter financeiros, mas também estratégico e operacional. 



Catarina Amaral

Contadora e consultora, mestranda em Contabilidade pela Universidade Federal da Bahia, graduada pela mesma instituição de ensino, digital influencer contábil, palestrante e membro das comissões de normas de auditoria do CRC-BA e Jovens Lideranças. Apaixonada pela disseminação de conteúdo e pela formação de contadores gestores e engajados.


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