O que é Simples Nacional 2021 e as novas regras

Tudo sobre o Simples Nacional em 2021: o que é, como optar pelo Simples, tributos, cálculos e regras atuais.

11/Mar/2021
Contabilidade
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Um dos maiores desafios do empreendedor brasileiro está ligado diretamente ao pagamento de impostos, seja ele simples nacional ou IR, não só pelo valor, mas pela complexidade que isso representa no dia a dia do empresário. Para isso, é necessário tempo e cautela, uma vez que não se pode deixar passar despercebido nenhum tributo para se manter regular e em dia com o Fisco.‍

Foi pensando em ajudar os pequenos empresários e, principalmente, em facilitar a burocracia tributária que o Governo Federal criou o Simples Nacional. O objetivo é incentivar o pequeno empreendedor a manter as suas atividades de forma sustentável e, com isso, conseguir mais poder de concorrência com outras empresas do mercado.‍

O maior objetivo de saber sobre a tributação do Simples Nacional é facilitar a forma do recolhimento de vários tributos através de um único documento, a fim de diminuir a burocracia no gerenciamento da empresa.‍

Mas, mesmo sendo algo mais fácil de ser executado, este regime ainda é motivo de muitos questionamentos e, por isso, vamos falar sobre ele de forma simplificada, para ajudar você a entender melhor o que é simples nacional e as principais diretrizes do sistema. Vamos lá?

O que é o Simples Nacional?‍

O Simples Nacional é um regime tributário que está contido na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e foi criado em dezembro de 2006, entrando em vigor em 2007. No ano de 2018, passou por uma grande reformulação que mudou, principalmente, as regras de faturamento, que vamos discutir ao longo do post.‍

O Imposto Simples Nacional desonera em até 80% da carga tributária normal do Lucro Real e Lucro Presumido dos pequenos negócios que são optantes por ele. É um regime unificado de arrecadação, cobrança e fiscalização para micro e pequenas empresas.‍

Ele unifica 8 impostos em um único documento de arrecadação (DAS), sendo eles:‍

  1. Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);
  2. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
  3. Contribuição para o Programa de Integração e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep);
  4. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS);
  5. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
  6. Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS);
  7. Imposto Sobre Serviços (ISS),
  8. Contribuição para a Seguridade Social destinada à Previdência Social a cargo da pessoa jurídica (CPP)

Importante ressaltar que, o recolhimento destes impostos em uma única guia, não isenta as empresas de recolherem de forma separada os demais tributos como o IOF, Imposto de Importação, FGTS, entre outros.

Quem pode e quem não pode optar pelo Simples Nacional?‍

De acordo com a alteração da lei em 2018, podem ser optantes pelo Simples Nacional as micro e pequenas empresas que têm um faturamento máximo de R$360 mil ao ano e as empresas de pequeno porte com faturamento anual de até R$4,8 milhões, sendo representadas nessas condições pelas siglas ME e EPP.

Contudo, o faturamento não é o único critério para que as empresas optem pelo regime tributário do Simples Nacional, isto é, a própria legislação determina quais são os tipos de segmentos que não podem aderir ao regime simplificado.‍

Vejamos abaixo quais empresas entram:

  • Exercem atividade de assessoria e/ou gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e receber, gerenciamento de ativos, factoring;
  • Sócio domiciliado no exterior;
  • Um dos sócios é de entidade da administração pública;
  • Possui débitos com o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, ou com os poderes federal, estadual e/ou municipal;
  • Realiza transporte intermunicipal e interestadual de passageiros, exceto indicações apontadas em lei;
  • Gera, transmite, distribui e comercializa energia elétrica;
  • Realiza importação ou fabricação de automóveis e motocicletas;
  • Faz importação de combustíveis;
  • Pratica a venda de cigarros, armas de fogo e derivados;
  • Estabelecimentos que realizem cessão ou locação de mão de obra;
  • Empresas de loteamento e incorporação de imóveis;
  • Companhia de locação de imóveis;
  • Empresas que têm ausência ou irregularidade em cadastro fiscal federal, estadual ou municipal.

Por isso, sempre fique atento às restrições acima, para que, ao definir o regime tributário, opte por aquele que se melhor se enquadra no exercício de suas atividades. Uma escolha errada pode causar perdas importantes no ano-calendário em que o regime foi escolhido.‍

Se suas atividades estão de acordo com aquelas permitidas dentro da tabela  Simples Nacional, basta seguir o passo a passo no site da Receita Federal para fazer a adesão.‍

Lembre-se que existem prazos do Simples Nacional para que essa solicitação seja feita. Somente é possível aderir até 30 dias da data do último registro de sua empresa, ou seja, se sua empresa é de serviços e o último registro da abertura dela é a inscrição municipal.

A partir desta data, você terá no máximo 30 dias para solicitar a adesão ao regime. ‍Caso não o faça, você poderá fazer outra solicitação somente no ano seguinte, entre 01 e 31 de janeiro.


 

Como calcular o Simples Nacional em 2021?

Se você quer saber como calcular o Simples Nacional, entenda que o Governo estipulou 5 anexos na legislação, que são categorizados por segmento, faturamento, alíquota do Simples Nacional e valor a deduzir. São eles:

tabela-aliquota-simples-nacional-comercio

Anexo 1 - Alíquotas e partilha do Simples Nacional - Comércio

tabela-aliquota-simples-nacional-comercio

Anexo 2 - Alíquotas e partilha do Simples Nacional - Indústria

tabela-aliquota-simples-nacional-servicos-1

Anexo 3 - Alíquotas e partilha do Simples Nacional - Serviços de manutenção, viagens, contabilidade, academia, etc.

tabela-aliquota-simples-nacional-servicos-2

Anexo 4 - Alíquotas e partilha do Simples Nacional - Serviços de limpeza, obras, imóveis, etc.

tabela-aliquota-simples-nacional-empresas-1

Anexo 5 - Alíquotas e partilha do Simples Nacional - Empresas de auditoria, jornalismo, tecnologia, etc.

Para calcular o imposto, em primeiro lugar, é necessário identificar em qual faixa de faturamento a sua empresa se enquadra. Para isso, basta somar a receita bruta dos últimos 12 meses e, com o resultado desta soma, analisar em qual das faixas a empresa se encontra.‍

Após obter o valor da receita bruta e identificar o enquadramento, é preciso verificar nos anexos qual é a alíquota que deverá ser aplicada sobre esse faturamento e a parcela a deduzir, que também deverá ser aplicada ao resultado anterior. Com essa conta, se obtém a alíquota efetiva para o cálculo do tributo daquele mês.‍

Abaixo um exemplo de fórmula a ser aplicada:

(RBT12 x Aliq – PD) / RBT12

Onde:

RBT12 = Receita Bruta acumulada nos doze meses anteriores ao período de apuração;

Aliq = Alíquota nominal constante nos anexos;

PD = Parcela a Deduzir constante nos anexos.‍

Com essas variáveis, identificamos qual será a alíquota efetiva, que é aplicada na receita bruta do período de apuração, para se obter o valor do imposto no devido no período.‍

Importante lembrar que o DAS Simples -  Documento de Arrecadação do Simples Nacional pode ser emitido mensalmente, desde que neste período tenha ocorrido o faturamento da empresa. O pagamento acontece sempre no dia 20 do mês subsequente ao da apuração.‍

Caso a empresa não tenha faturamento neste período, é necessário que faça a entrega do documento mesmo assim, pois com isso fica indicado que naquele período não houve faturamento e o sistema pode efetuar o cálculo da receita bruta acumulada dos últimos doze meses.

 

Como saber em qual anexo do Simples Nacional sua empresa se enquadra?‍

Agora que você já sabe o que é e como calcular, vamos explicar a relação entre CNAE e Simples Nacional. É preciso verificar o Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE) da empresa e comparar com os descritivos de serviços da lei e das tabelas anexas, para saber em qual dos anexos a sua empresa se enquadra. 

Importante lembrar que, para as empresas que estão enquadradas nos anexos III e V, existe uma outra variável que afeta diretamente seus tributos, que é o fator R.‍ O fator R é um cálculo utilizado para verificar a relação da folha de pagamento sobre a receita bruta da empresa, ou seja, qual a porcentagem que a folha de pagamento representa da receita. 

O resultado desse cálculo irá determinar se a empresa será tributada pelo anexo III, que tem uma carga tributária menor, ou pelo anexo V, que tem uma carga tributária maior.‍

A regra é a seguinte: se a folha de pagamento for igual ou superior a 28% da receita bruta, a empresa tem a sua tributação pelo anexo III. Agora, se a folha de pagamento for inferior a 28% da receita bruta, a empresa passa a ser tributada pelo anexo V.‍

Sua fórmula é a seguinte:‍

Fator R = FP / RB‍

Onde:

FP = Folha de Pagamento

RB= Receita Bruta

Tabela Simples Nacional 

Alguns valores podem ser diferentes de acordo com as atividades exercidas pelas empresas optantes pelo Simples Nacional. Por isso, confira abaixo a Tabela de Alíquota Simples Nacional, com última atualização feita em 2020 pela Receita Federal.

Alguns valores podem ser diferentes de acordo com as atividades exercidas pelas empresas optantes pelo Simples Nacional. Por isso, confira abaixo a Tabela de Alíquota Simples Nacional, com última atualização feita em 2020 pela Receita Federal.

Comércio

Tabela referente ao ano de 2020, conforme última atualização da Receita Federal

Indústria

Tabela referente ao ano de 2020, conforme última atualização da Receita Federal

Serviços

Tabela referente ao ano de 2020, conforme última atualização da Receita Federal


O que é DAS, qual a sua importância e como fazer para pagar?‍

A sigla DAS significa Documento de Arrecadação do Simples Nacional e é uma taxa obrigatória que o MEI (microempreendedor individual) precisa pagar para obter seus direitos, benefícios e manter a regularidade com o fisco.  ‍

Segundo o Portal do Empreendedor, o cálculo do valor do tributo corresponde a 5% do salário mínimo, com acréscimo de R$ 1 de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), para comércio e indústria, ou de R$ 5 de Imposto sobre Serviços, para prestadores de serviços.‍

Para fazer o pagamento é simples. Veja abaixo o passo a passo disponibilizado pelo Governo Federal:

1. Acesse a página Programa Gerador do Documento de Arrecadação (DAS) para o MEI.

2. Informe o CNPJ e digite os caracteres que aparecem na imagem.

3. Leia atentamente as informações e depois clique em "Emitir Guia de Pagamento (DAS)".

4. Selecione o ano-calendário para o qual deseja emitir a guia.

5. Selecione o mês ou os meses para os quais deseja emitir as guias.

6. Informe a data em que vai pagar o DAS.

7. Leia as informações importantes e clique em "Pagar Online".

8. O sistema vai perguntar se você é cliente do Banco do Brasil e se tem acesso ao Internet Banking. Clique em "Sim".

9. Leia as informações e clique em "Prosseguir".

10. Você será direcionado para a página do Banco do Brasil, na qual poderá visualizar o valor a pagar antes de confirmar a transação. Caso realmente deseje pagar, siga as instruções do banco.

11. Depois que o banco confirmar a realização da transação, o sistema exibirá o comprovante de arrecadação. Você pode imprimi-lo ou salvá-lo.

12. Caso você feche a janela do comprovante antes de salvar ou imprimir, haverá outra janela informando que o comprovante foi emitido com sucesso. É possível emitir o comprovante novamente ou voltar ao sistema do Portal do Simples Nacional.

13. O sistema manterá ainda aberta uma outra janela com informações sobre o número e o valor do DAS e a transição realizada no seu banco. Nela você poderá emitir o comprovante ou retornar ao sistema do Portal do Simples Nacional. 

Você também pode optar pelo débito automático pelo site da Receita Federal. Para esta opção é necessário ter conta em algum dos bancos conveniados, conforme a lista:‍

001 – Banco do Brasil S/A

003 – Banco da Amazônia S/A

008 – Banco Santander (Brasil) S/A

021 – Banco Banestes S/A

041 – Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A

070 – Banco de Brasília S/A

104 – Caixa Econômica Federal

237 – Banco Bradesco S/A

389 – Banco Mercantil do Brasil S/A

748 – Banco Cooperativo Sicredi S/A

756 – Banco Cooperativo do Brasil S/A 

Atualização Simples Nacional 2021 - COVID-19‍

Se você está abrindo sua empresa deve ficar atento aos prazos para opção pelo Simples Nacional 2021. Veja as condições: ‍

  • O prazo de 180 dias se estende por todo o ano de 2021;
  • Não ultrapassar 60 dias da data da abertura do CNPJ para as empresas inscritas a partir de 1 de janeiro de 2021,
  • A opção não deve passar de 30 dias contados do último deferimento de inscrição municipal ou estadual, caso exigíveis.

Importante ressaltar que essas condições só estão válidas para empresas em início de atividade, e não por empresas já constituídas. Por exemplo, se você abriu a sua empresa em 2017 e pretendia ingressar no SN em 2021, o prazo foi encerrado em 31 de janeiro de 2021 e não foi prorrogado. 

Sabemos que quando se trata do Simples Nacional, muitas dúvidas aparecem, por este motivo, selecionamos abaixo as principais perguntas e respostas sobre o assunto, de acordo com a Secretaria-Executiva do Comitê Gestor do Simples Nacional, com última atualização feita em julho de 2020.

Perguntas frequentes sobre o Simples Nacional 

1. Quem pode optar pelo Simples Nacional?

Como regra principal, as micro e pequenas empresas com limite de faturamento de R$ 2,4 milhões por ano, salvo as exceções.‍

2. Como saber em qual alíquota se enquadra sua empresa?

Antes de começar a fazer contas, os empreendedores precisam verificar as tabelas dos anexos e ver em qual delas a atividade da sua empresa se enquadra.  ‍

3. Preciso de uma contabilidade completa ou apenas livro caixa?

O Simples Nacional oferece ao empresário a possibilidade de fazer a contabilidade ou o livro caixa, mas isso não o isenta de se atentar com as obrigações exigidas na regra societária.‍

4. Quem pagar o valor devido dentro do prazo original de vencimento tem direito à restituição do valor pago?

Não. Nem à sua compensação. Só há direito à restituição ou compensação de valor eventualmente pago a maior que o devido.‍

5. Como faço para deixar o Simples Nacional?

Uma vez escolhido o modelo do Simples Nacional não pode ser mudado em todo o ano-calendário de apuração dos impostos. Quem quiser sair, precisa fazer uma comunicação formal. Podem ser excluídas as empresas que ultrapassarem o limite de faturamento ou estiverem com débitos no INSS e na secretaria da fazenda.‍

Ao longo deste artigo, vimos que são muitos os detalhes que envolvem a legislação do Simples Nacional. O que falamos acima é apenas uma parte do que rege a legislação. Ou seja, antes de tomar qualquer decisão, é muito importante consultar um contador!‍

É ele quem irá auxiliar na organização da gestão fiscal e tributária da sua empresa, além de te ajudar a planejar estrategicamente o crescimento do seu negócio, tomando todos os devidos cuidados para que suas operações não corram nenhum risco fiscal.‍

É muito importante que, além de manter o contador como seu grande parceiro, você tenha um sistema de gestão empresarial completo, que te ajude nas demandas do dia a dia e otimize as suas tarefas para a sua empresa ganhar muito mais produtividade. 

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